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sábado, 7 de março de 2009

ECOLOGIA TEM LIMITES


ECOLOGIA TEM LIMITES

Lia um artigo falando sobre que a crise financeira global atual no qual estava escrito que a crise de hoje é derivada de um conjunto de fatores. Existe a crise financeira, a energética e o aquecimento global e que para resolvermos uma teremos que resolver todas.
Enquanto lia o artigo a natureza pantaneira me rodeava, literalmente (mais tarde eu explico)
Ao perceber a natureza me rondando lembrei de uma palavra muito usada nos dias atuais: - Ecologia.
Hoje, muitos defendem a natureza a qualquer custo. São os ecochatos, os quais consideram que não se pode matar nem um mosquito. Muitos ecochatos estão dentro de organizações ecológicas – talvez a minoria - como o greenpeace, WWF (World Wildlife foundation) e até a Fuck for Forest. Não se assuste você que sabe inglês, é isso mesmo. Fuck for Forest! Pessoas que transam – acho que é só desculpa pra F...- em prol das florestas. Concordo plenamente com a preocupação ecológica e até com a fudelança – desculpe o palavreado- ecológica. Ambos fazem bem e a segunda opção deve fazer melhor ainda, pelo menos para eles.
Enquanto pensava nisto a natureza me circulava e eu já demonstrava sinais de irritação. Lembro o leitor que estou em pleno pantanal, na época das águas, final da piracema e início do período liberado para a pesca, quando os rios ficam movimentados novamente lembrando rodovias. Quem conhece sabe, é o céu e o inferno na terra ao mesmo tempo!
Enquanto isso a natureza já me irritava profundamente, e o pensamento ecológico já tinha ido para perto de onde Judas perdeu as botas.
Saí do posto para fazer fogo e fumaça para ver se a natureza largava do meu pé, mas lá fora a natureza se encontrava mais forte e onipresente. Que óbvio!
Ao mesmo tempo em que pegava a madeira seca a natureza me emagrecia algumas micro gramas por segundo. Debatia-me que nem um lunático e me açoitava com uma camisa utilizada especificamente para afastar a natureza de mim.
Acendo o fogo e um cidadão local aparece sem camisa e exclama:
- Vooti, tem demais de mosquito! Em um típico sotaque do pantanal.
Ao mesmo tempo pensei, e o que vc está fazendo sem camisa? Se bem que camisa não adianta de nada neste caso.
Neste momento o meu respeito pela natureza já havia virado ódio, ódio profundo, tão abissal que chegava a ser um sentimento meio demoníaco. Meu desejo era acabar com aquela espécie, extermínio, genocídio. Se tivesse um
navio petroleiro abarrotado de inseticida, naquela hora, teria intoxicado o pantanal inteiro só para ter alguns minutos de paz. E olha que não sou muito fã de inseticida.
Pensei em todos aqueles que são vetores de doenças. Aedes, Phlebotomus intermediu, Anopheles, ou seja todos aqueles hematófagos. Transmitem Febre amarela, Malária, Leishmaniose, Dengue entre outras. Minha raiva aumentou.
Tentei aliviar o ódio, em meio a picadas e fumaça, imaginando que são seres que fazem parte de alguma cadeia alimentar. Não consegui! Só consegui imaginar que eu fazia parte da cadeia alimentar deles, mas eles de nenhuma. O único bicho que já vi comendo um pernilongo foi uma formiga, e ainda assim por que já estava morto; e convenhamos, alimento para formigas aqui é o que não falta.
Não havia jeito! Já havia julgado e condenado à espécie, e o veredicto era a morte. Era o inquisidor entomológico e o executor da pena, mas me encontrava despreparado para tal. Não tinha armas a não ser meu pano de abano. Fui para a guerra despreparado.
Entrei no posto em meio a fumaça e parte da natureza me acompanhou. Desisti do extermínio. Minha única defesa eram movimentos repetitivos e alternados da minha camisa a tira colo, a qual batia em minhas costas, minhas pernas, minha cabeça, meus braços e em tudo quanto é lugar do corpo humano, afastando provisoriamente os mosquitos e queimando calorias simultaneamente. Olhando-me no espelho, a imagem era de cascão e suas mosquinhas voando sobre sua cabeça, só que estas “moscas” são moscas vampiro.
Quanto mais me debatia mais me cansava e o cansaço estava me fazendo ficar mais calmo ou pelo menos aceitar a situação. No segundo dia já mais tranquilo e no terceiro já havia virado quase pantaneiro. Já andava sem camisa lá fora – entre as 10 da manhã e 5 da tarde, caso contrário seria louco – e com minha camisa de abano a tira colo. Digo quase pantaneiro, pois iguais a eles não serei nunca. Crianças e adultos, sem camisa, conversam sentados com os mosquitos em volta como se fosse à coisa mais natural possível.
Quando voltar ao pantanal nesta época virei preparado, ou não. Como todo ano, acho que não será necessário detetizar a floresta e não levarei o inseticida; até depois, o ódio me fazer arrepender e tudo acalmar novamente depois.
Se quiser queimar calorias e emagrecer vem pra cá!
Espera aí, estou vendo que os pantaneiros estão fechando suas portas. Dia em que pantaneira fecha as portas dá medo de ir lá fora. Deixa eu me esconder!
Tem algum ecochato aí? Fuck you! Se quiser te dou até o endereço:
http://www.fuckforforest.com/side-meny.html
Bom proveito!!!

PINTADA


PINTADA

Aos olhos do mundo o pantanal é sinônimo de rios fartos, florestas inundadas e animais selvagens, muitos animais selvagens; e foram com estes olhos que adentrei este mundo.
Ao escrever este texto viajo nas minhas memórias e os leitores pegam carona nas mesmas para construírem suas próprias viagens. Não que eu tenha muitos leitores. Calculo que sejam mais ou menos três pelos comentários que recebo em meu blog. Nem a minha esposa o lê. Igualmente a esposa do meu amigo blogueiro Gilberto "Grana no ato". Olhando pelo lado otimista, talvez seja porque minha esposa receba um resumo oral de todos os textos antes de serem publicados.
E por falar em Gilberto, ele é um dos meus leitores e eu dele, um troca-troca, literário, que fique bem claro! Então ele é o meu leitor número um. O meu segundo leitor, ou melhor leitora, é uma amiga que não vejo há anos e que escreveu em um dos comentários que adora meus textos, e isto, percebam, está no plural. Textos! Se escreveu no plural é por que leu mais de um. Já virou minha leitora. O terceiro é um amigo amazônico, guitarrista, dentista e maluco profissional, cujo escreveu que sempre que pode acompanha os meus textos. Já é uma vitória. Os outros são amigos que não fazem comentários e outros que fizeram somente um comentário sem citar que leram outros textos então apesar de terem lido ao menos um dos textos, irei considerar os que tenho certeza que leram mais de um. (Será que a minha mãe leu mais de um?). rsrsrs.
Acredito que a minha esposa esteja entre os que não lêem e uma prova disto será quando ela nem comentar estas linhas ( depois eu digo se ela comentou ou não.).
Bem, mas não é sobre comentários que escreverei e sim sobre viagens.
Voltando.
O pantanal é um ambiente cheio de vida, como já foi dito, e ao se aproximar percebe-se que também é cheio de estórias. Estórias do peixe maior do que a canoa, da sucuri a espreita no barranco ou do dia em que ciclano cutucou a onça com vara curta.
Em uma das minhas primeiras noites de pantanal estávamos sentados, ao entardecer, eu e os poucos habitantes de um local chamado aterradinho. Conversávamos, na beira do rio Cuiabá, à sombra de uma frondosa mangueira e uma leve brisa amenizava o calor do centro oeste brasileiro. A conversa fluía naturalmente e devagar os contos e causos brotavam. Um destes causos foi que na noite anterior, um casal de onça havia brigado justamente bem em frente do posto de saúde. Ouvi este caso com atenção como todos os outros.
O tempo passou e a noite caiu. Entrei no alojamento para dormir.
Mais tarde, naquela noite, acordo com uma vontade louca de ir no banheiro fazer o n° 1. Levanto, sem lanterna, saio tateando as paredes – não se esqueça de que aqui o interruptor não funciona – e como não conhecia bem o lugar ainda e tinha receio de errar e “mijar fora do pinico”, resolvi fazer lá fora para que o risco de errar fosse minimizado.
Lá fora, uma noite de lua iluminava o rio. Uma imagem impressionista linda de Monet, meio mancha meio cor, quase poética, estendia-se á minha á minha frente . Inebriado pela beleza e entorpecido pelo sono, me aliviava tranquilamente. Ahahahah! Nada passava pela minha cabeça além da beleza daquele lugar, até que um urro estarrecedor ecoa bem próximo ao meu mictório orgânico ecológico. Imediatamente me lembro das onças e do fato de terem comentado que elas estavam em época de cio. Quem já viu e ouviu gatos brigando na época de cio sabe bem do que estou falando. Agora, imagina gatos anabolizados de mais de cem quilos; uma insanidade!
Tão rápido quanto veio o primeiro surge o segundo urro, ainda mais forte; e tão rápido quanto veio, a minha vontade de urinar se foi. Cortei o vazamento, botei o “Eduardo Júnior” na casa e “voei” para dentro do posto.
Com o coração acelerado, parei em frente a tela fiquei a observar. Nada! Nenhuma onça. Perdi um tempo ali e desisti de ver minha amiga pintada.
Já protegido, dormi bem. Não senti mais vontade de ...
No dia seguinte, descobri que ser “calouro” de pantanal também tem os seus trotes. Ao descrever e sonoplastizar o urro para os moradores locais, descobri que a onomatopéia da noite anterior era na verdade proveniente de Jacarés. E eu que nem sabia que jacaré urrava.
A minha vingança viria mais tarde; Jacaré empanado. Uma delícia!
(Aos funcionáiros do Ibama e ativistas ecológicos, declaro que quem matou o jacaré foi um índio, e índio pode, não é?)